Com um número impressionante de indicações ao Tony — vencendo nas categorias de Melhor Peça, Melhor Design de Som e Melhor Direção — Stereophonic mergulha na atmosfera de um estúdio de gravação de 1970, onde uma banda de rock em ascensão grava seu novo álbum no limite do estrelato.
Para recriar o calor e a fidelidade de um estúdio analógico clássico ao vivo no palco, a equipe de produção não teve dúvidas: recorreu a Universal Audio. O designer de som Ryan Rumery, o diretor musical Justin Craig e o compositor Will Butler (ex-Arcade Fire) desenvolveram um design de som híbrido “estúdio-palco”. O resultado? Os atores tocam como uma banda real, enquanto o público ouve o som polido e finalizado de um disco de época.
A equipe da Universal Audio conversou com os três profissionais. Vale a pena conhecer como o processo aconteceu.

Design de som híbrido: o workflow de estúdio no palco
Como as interfaces Apollo e os plugins UAD foram integrados em Stereophonic? Ryan Rumery: Desde o início, precisávamos de uma “linguagem comum” para esse desafio ambicioso. Interfaces Apollo, plugins UAD e o app Console são ferramentas que eu, o Will e o Justin usamos há anos, então somos fluentes nesse ecossistema. Isso nos permitiu compartilhar telas e ajustar inserts, buses juntos, exatamente como engenheiros trabalham em uma sessão de gravação. Essa transparência permitiu levar o workflow de estúdio para o palco, moldando o som em tempo real.
Você já tinha trabalhado com essa configuração em teatro?
Ryan Rumery: Esse tipo de colaboração técnica profunda é raro no design de som teatral. Mas para fazer uma banda soar como um disco ao vivo, a latência é o inimigo número um. Com o processamento DSP das Apollos, rodamos plugins em tempo real através do Console com latência quase zero. Vocais, guitarras, bateria e teclas eram processados ao vivo, mantendo a resposta natural para os atores. Tratamos a produção como uma sessão de gravação ao vivo, e não como um sistema de PA convencional.
A busca pelo timbre clássico dos Anos 70
Quais foram as referências para chegar nesse som analógico?
Justin Craig: Busquei referências em discos clássicos do Fleetwood Mac, 10CC, Steely Dan e os primeiros do Tom Petty. O Ryan e eu concordamos que o som saindo dos monitores deveria parecer um disco pronto.
Ryan Rumery: Capturar esses timbres é a especialidade dos plugins UAD. Eles entregam a textura da era de ouro dos estúdios analógicos e evocam a estética de meados dos anos 70 com uma precisão incrível.
“Os plugins UAD são muito mais do que apenas a ‘cereja do bolo’ em Stereophonic. A UAD é, literalmente, o bolo e a cobertura.” — Ryan Rumery

Cadeia de sinal: roteamento e processamento
Tudo o que acontece no palco é roteado para duas interfaces Apollo x16 e gerenciado pelo app Console, exatamente como em um tracking de estúdio.
Quais plugins foram fundamentais para esse ‘cheiro’ de fita e console?
Ryan Rumery: O primeiro passo foi inserir o Studer A800 Tape Recorder no Master Bus para dar a saturação e a “cola” da fita. Também usamos pesado a 1176 Classic Limiter Collection e os Pultec Passive EQs. Nas guitarras, chegamos a usar o Neve 1073 “rachando” o ganho de entrada para aquele timbre saturado dos Beatles no White Album. Os plugins UAD mantêm o comportamento harmônico e a saturação fiel ao hardware original.
E sobre a confiabilidade do hardware no dia a dia?
Ryan Rumery: Não consigo imaginar o show sem a Universal Audio. E não é só pelos plugins. A estabilidade dos conversores das Apollos é crítica quando você roda um show complexo oito vezes por semana na Broadway. Entre as interfaces e os plugins, temos essencialmente todo o som do espetáculo.
O signal chain de Stereophonic
Para recriar a fidelidade de 1970, a equipe montou uma cadeia de sinal híbrida:
- Captação: Microfones de palco e instrumentos reais.
- Conversão: Interfaces de áudio Apollo x16.
- Gerenciamento: UAD Console para roteamento e processamento em tempo real (Realtime Processing).
- Processamento: Plugins UAD (Studer A800, 1176, Pultec, Neve 1073).
- Saída: Sistema de FOH (Front-of-House).


